O Projeto Tartarugas do Delta, desenvolvido em parceria com a Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, participou da Oficina de Monitoramento Participativo do Plano de Manejo da APA Delta do Parnaíba, realizada em Parnaíba (PI). O evento, promovido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), reuniu pesquisadores que atuam na região com o objetivo de qualificar tecnicamente o processo de monitoria da unidade de conservação, que completa 30 anos em 2026.
A oficina integra a primeira
monitoria formal do Plano de Manejo da APA — publicado em agosto de 2020 —, um
processo desencadeado por pressões crescentes sobre o território, que incluem
novos projetos de infraestrutura como a Hidrovia do Parnaíba, terminais
portuários, parques eólicos offshore e empreendimentos de hidrogênio verde. O
encontro foi estruturado em cinco eixos de trabalho: revisitação dos Recursos e
Valores Fundamentais (RVFs) da APA, reavaliação das ameaças, análise do estado
de conservação, proposição de indicadores de monitoramento e avaliação do
zoneamento vigente.
Para a coordenadora do
Projeto, Werlanne Magalhães, participar deste processo representa muito mais do
que um compromisso científico — é a chance de colocar o conhecimento produzido
em campo a serviço da proteção do território onde as tartarugas vivem, se
alimentam e se reproduzem. A APA Delta do Parnaíba abriga as cinco espécies de
tartarugas marinhas do Brasil, listadas entre os Recursos e Valores
Fundamentais da unidade de conservação que a gestão busca proteger.
"É uma oportunidade única
de unirmos o conhecimento científico acumulado pelo Projeto Tartarugas do Delta
ao processo de tomada de decisão sobre o futuro desta área tão especial. Temos
dados sobre distribuição, encalhes, ameaças e comportamento das tartarugas na
região da APA que precisam estar na mesa quando se discute zoneamento e normas
de uso."
A contribuição do instituto
vai além das tartarugas marinhas. Por meio dos seus programas sistemáticos de
monitoramento de praias, o Projeto acumula também informações relevantes sobre
aves migratórias que utilizam o litoral da APA como rota e área de descanso,
além de registros sobre o boto-cinza (Sotalia guianensis), espécie que
ocorre nos estuários e canais do delta. Esse conjunto de dados sobre diferentes
grupos da fauna representa um patrimônio científico valioso para embasar as
discussões sobre conservação e uso sustentável do território.
Os resultados da oficina serão
consolidados junto aos produtos das reuniões já realizadas com o Conselho
Consultivo da APA — ocorridas nos meses de março e abril de 2026 — e das
oficinas com comunidades tradicionais previstas para junho e julho deste ano.
Todo esse arcabouço subsidiará a elaboração do Relatório Final de Monitoria,
que será encaminhado ao ICMBio para deliberação sobre eventual revisão do Plano
de Manejo.
A APA Delta do Parnaíba cobre
311 mil hectares distribuídos pelo Piauí, Maranhão e Ceará, protegendo o maior
delta em mar aberto das Américas, com seus manguezais, dunas, restingas,
estuários, lagoas e mais de oitenta ilhas — território de biodiversidade e de
povos tradicionais que, juntos, dependem da ciência e da gestão participativa
para garantir seu futuro.



Comentários
Postar um comentário